<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8101854997780117341</id><updated>2012-02-16T19:06:06.759-08:00</updated><title type='text'>Letrilhado</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://letrilhado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8101854997780117341/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrilhado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Letrilhado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8101854997780117341.post-2067953701015358745</id><published>2008-01-27T16:30:00.000-08:00</published><updated>2008-01-27T16:34:25.721-08:00</updated><title type='text'>Sobre nossas calçadas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;De tempo em tempo se vê passar pela rua onde moro o Mendigo. É uma passagem quase sazonal. Quando se pensa que sumiu e sabe-se lá Deus o fim que levou, ele retorna às nossas calçadas, caminhando em sua via crucis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito dos rumores duvidosos sobre sua origem e seu verdadeiro nome, a história do home&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dde20NwLcWo/R50ixhioshI/AAAAAAAAAAM/bKZ_UpMF-LU/s1600-h/grannnbranco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160318982249034258" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 219px; CURSOR: hand; HEIGHT: 353px" height="320" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dde20NwLcWo/R50ixhioshI/AAAAAAAAAAM/bKZ_UpMF-LU/s320/grannnbranco.jpg" width="203" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;m mendigo caminha lado a lado, água correndo pelas valetas, com a história oficial da minha rua e seus moradores. Eu mesmo, recorrendo às imagens estampadas na “parede da memória”, deparo-me, não poucas vezes, com a sua passagem lenta e rastejante pela minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, coisa de quinze anos atrás, quando eu e meu sem-número de amigos brincávamos na rua, veio esse homem descalço, algo rastafari, com dedos cor de asfalto, short aparentando já ter sido calça e um violão Tonante, que disputava em peso e estatura com o Mendigo. Não lembro bem o que ele cantava empunhando a viola. Também não vem ao caso. O caso é que espantava ver um homem sem lembrar o último pão que havia comido ter de cor e salteado uma porção de acordes – é verdade que haja a expressão musical sobre “acordes que enchem os ouvidos”, agora, encher barriga...barriga mesmo, nunca tive notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem se tornou uma atração e tanta. Principalmente para a molecada, que via naquela espécie de astro da street music a resposta às implicações de mãe: “Vem comer, meu filho! Saco vazio não pára em pé!”. Pois parava e o Mendigo era a prova viva disso. O primeiro saco vazio que, além de parar em pé, ainda tocava violão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram exatamente as mães, quando a passagem do nosso ilustre visitante acontecia periodicamente e a platéia teen já ansiava pelos seus dedilhados, que passaram a fazer as vezes de segurança, não do artista, como era de se esperar, mas de seu público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastava o primeiro acorde do nosso triste aspirante a Bob Marley para se seguir a ele o coro descompassado, uníssono e dissonante das mães. Desde então, quando saíamos para a rua, atrás das bolas de futebol e de gude, os olhos e ouvidos de nossas super-protetoras dividiam com nossos corpos os espaços das partidas. Era então ouvir o arrastar de pés cansados, ver de longe o traço fino de homem se mover, ou farejar o suor incrustado que, alto lá!, éramos enquadrados, com direito de ficar calados, sob a acusação de ser filho e ter de obedecer às ordens da Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessas tardes de confinamento, não lembro exatamente o que aconteceu nos anos que se seguiram. Ao Mendigo, parece que o óbvio sucedeu-se. Quanto a nós, lembrando assim depressa, sei que, quando voltei novamente para a rua, já era à noite, os amigos, em sua maioria, já não tinham a pressa do futebol nem a coleção das bolinhas de gude. Já era a fase de colecionar dinheiro, de dar indulgentemente esmolas e proteger os seus dos perigos das ruas, quem sabe até de mendigos. Lembrando assim depressa, sei que as mães continuavam mães, mesmo que agora impotentes, terceirizando sua super-proteção para Deus, nas igrejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que, agora, lembrando assim de todas as coisas, com os olhos parados na janela, espiando a rua e a vida lá fora, vejo de longe algo como pés nascendo do chão, um trapo aparentando já ter sido shorts e um pedaço de madeira, segurando um homem pela mão. Me adianto com a cabeça para fora, inspecionando os traços do homem por detrás da barba. É o Mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus gestos são de quem conversa a conversa segura de quem é bem-vindo. Ele parece ter feito as pazes com o mundo. O mundo parece enfim tê-lo aceitado. Inclino um pouco mais a cabeça, quero ver com quem ele fala, a quem se destina seu modo cortês e sorridente. E é então que, entrecortada pela janela que me atrapalha a visão, vejo a cortesia correspondida, os dentes aos montes retribuindo a presença do homem. As palavras dirigidas a ele são grandes e coloridas, ora eufóricas, efusivas, ora lânguidas e quase carnais. São homens e mulheres, aleatoriamente dispostos e gentis. Os homens prestigiando a presença mendiga com sua reverência e conselhos diversos, de negócios à abordagem das fêmeas; as fêmeas, prontas para serem abordadas. O Mendigo, apontando firmemente para uma dessas figuras estáticas, é interpelado então pelo dono da banca de jornal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com revista não se conversa. Revista se compra e se lê, seu doido!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8101854997780117341-2067953701015358745?l=letrilhado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letrilhado.blogspot.com/feeds/2067953701015358745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8101854997780117341&amp;postID=2067953701015358745' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8101854997780117341/posts/default/2067953701015358745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8101854997780117341/posts/default/2067953701015358745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letrilhado.blogspot.com/2008/01/sobre-nossas-caladas.html' title='Sobre nossas calçadas'/><author><name>Letrilhado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dde20NwLcWo/R50ixhioshI/AAAAAAAAAAM/bKZ_UpMF-LU/s72-c/grannnbranco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry></feed>
